Instituto Endeavor convoca empresários bem-sucedidos para estimular pequenos negócios

Marianna Aragão

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Fundador da gigante de tecnologia Dell, o empresário americano Michael Dell será uma das caras de um movimento organizado no País pela Endeavor, entidade internacional de apoio ao empreendedorismo. Ao lado de algumas estrelas do empresariado nacional, como Luiza Helena Trajano (Magazine Luiza), Luiz Seabra (Natura) e Nizan Guanaes (Grupo ABC), Dell dará o pontapé inicial numa campanha para promover a proatividade e a atitude empreendedora no Brasil. As primeiras peças publicitárias do movimento, batizado de “Bota pra fazer”, entram no ar nas próximas semanas.

“Queremos falar com pessoas de todas as classes sociais e ?deselitizar? um pouco a questão do empreendedorismo, que nada mais é que botar a mão na massa, tirar as idéias do papel”, diz o diretor-geral da Endeavor no Brasil, Paulo Veras.

Ele próprio um empreendedor – o engenheiro fundou uma empresa pontocom ao sair da faculdade, onde permaneceu até assumir a ONG -, Veras acredita que a maneira mais eficaz de se fazer isso é mostrar a história de pessoas que “deram certo”, como Dell, Trajano, Guanaes e Seabra.

O empresário carioca Oskar Metsavaht, dono da grife Osklen, também vai participar da campanha. Há 19 anos, após criar um casaco de neve para usar nas escaladas com os amigos, ele largou a carreira na medicina para abrir uma confecção de roupas esportivas em Búzios (RJ). Hoje, é dono de uma das mais bem-sucedidas marcas brasileira de moda, com 11 lojas no exterior e crescimento médio anual de 30%.

Segundo Metsavaht, o segredo do empreendedorismo de sucesso está em ir além do estabelecido. “Sempre rompi os preconceitos: quando médico, larguei tudo para fazer casacos de neve; quando fazia roupa de neve, passei a fazer coleções de praia; de roupas de praia, passei para moda; de moda nacional, para moda internacional”, conta ele.

Segundo o diretor-geral da Endeavor, o Brasil ainda é carente de exemplos de empreendedorismo. “Diferente dos Estados Unidos, aqui as pessoas não se enxergam como protagonistas da sua própria vida. Os jovens são educados para serem funcionários. Essa mudança de postura é determinante para o crescimento do País”, afirma.

Uma prova da falta de ambição do brasileiro, segundo Veras, foi mostrada neste ano pela pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM). De acordo com a pesquisa, feita em 42 países, apenas 3% das pessoas que abrem um novo negócio no Brasil têm expectativa de criar 20 empregos em um prazo de cinco anos. A taxa média global é de 8% a 9%.

Ainda segundo o GEM, o País está em quinto lugar no ranking mundial de empreendedores estabelecidos e em décimo no de iniciantes. Apesar da colocação, a última edição da pesquisa mostrou uma novidade. O número de pessoas que abrem um negócio motivadas por uma oportunidade de mercado, e não por necessidade de complemento na renda ou de emprego , cresceu. Elas representam hoje mais da metade (57%) do total de 15 milhões de empreendedores iniciais do País.

SEMANA GLOBAL

Ao mesmo tempo em que dá início ao movimento, que será permanente, a Endeavor Brasil realiza no próximo mês uma semana com palestras, workshops e cursos ligados ao tema. A meta da entidade é envolver até um milhão de pessoas nos 250 eventos programados para o período entre 17 e 23 de novembro.

Cerca de 300 parceiros – entidades como Sebrae e universidades – farão parte do evento. Além disso, companhias dos empreendedores que já colaboram com a Endeavor vão fazer eventos sobre o assunto para seus funcionários. Promovido pela primeira vez no País, a Semana Global do Empreendedorismo, idéia “importada” da Inglaterra, ocorrerá simultaneamente em 75 países