Bancos e Sebrae no fomento da economia de Jordão PDF Imprimir E-mail
06/11/2008 – 20:04
Montar um empreendimento exige muito planejamento e as estruturas necessárias para alavancar o negócio. No quesito estrutura, uma boa logística é fundamental. Mas e quando uma cidade está localizada no meio da Amazônia, onde só se chega por avião ou barco? Assim é a situação do município de Jordão, fronteira com o Peru. “A falta de uma boa infra-estrutura dificulta enormemente o desempenho econômico de uma cidade”, aponta Orlando Sabino, superintendente do Serviço Brasileiro de Apoio à Pequena e Micro Empresa (Sebrae)

Afim de tentar encontrar as soluções para os entraves da economia local, a Assembléia Legislativa do Acre levou até a cidade, além do Sebrae, representantes da Caixa Econômica Federal (CEF) e Banco da Amazônia (Basa). Por mais de duas horas, na noite da última quarta-feira, 5, a comunidade pôde expor seus problemas, e os representantes das instituições apontaram as soluções. O encontro marcou o início da terceira edição do Assembléia Aberta 2008.

Apenas com um ponto de atendimento em Jordão, onde são pagas as aposentadorias e benefícios sociais, a proposta da CEF é de, até o final de 2009, estar com uma agência própria na cidade. Aliás, a proposta do banco estatal é de ainda nesse mesmo período ter agências em todos os 22 municípios acreanos.

Para Aurélio Cruz, superintendente da Caixa Econômica, a presença de uma agência da instituição tem feito a diferença nas cidades onde foram instaladas. Como exemplo ele citou Manoel Urbano, outra cidade acreana que sofre com o isolamento. “Lá [em Manoel Urbano] pode-se falar em uma cidade antes e depois da agência da Caixa”, comemora Cruz.

De acordo com ele, a instituição pode atuar no fomento da economia jordaniense através do crédito habitacional. “Para construir uma casa há todo um ciclo na economia. Primeiro contrata-se pedreiros para a construção, que vão ser renumerados pelo serviço e, assim, terão dinheiro para comprar no comércio. Por sua voz o comércio será novamente beneficiado com a compra do material de construção”, explica Cruz.

A CEF ainda aproveitou o encontro para entregar ao prefeito da cidade, Hilário Melo (PT) o “Dossiê Jordão”, um documento elaborado por técnicos do banco que apontam os principais entraves da cidade. É através do dossiê, afirma Cruz, que a Caixa irá auxiliar a Prefeitura de Jordão na gestão do município fornecendo o crédito necessário para obras que gerem desenvolvimento. Como lembra Cruz, as ações da CEF estão voltadas mais para as áreas urbanas dos municípios.   

Já para auxiliar o homem do campo entra o Banco da Amazônia. O superintendente do Basa no Acre, Marivaldo Melo, reconhece que as ações do banco em municípios isolados, como Jordão, ainda são tímidas. “O programa Assembléia Aberta tem sido essencial para chegarmos a essas comunidades”, diz Melo. A proposta, afirma ele, é aumentar os investimentos do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) nestas localidades, além de verbas para o comércio.

Segundo Melo, a estimativa é que em 2008 mais de 200 projetos na área da agricultura sejam atendidos, com um orçamento de mais de R$ 100 milhões. Melo assegura ainda que a proposta do Basa é de reduzir os entraves burocráticos que impedem o acesso ao crédito por parte dos pequenos produtores. “O que nós desejamos em parceria com a Assembléia Legislativa é justamente o de encontrar os entraves e tentar reduzi-los”, comenta Melo.

Já como parceiro a Assembléia Legislativa contará com o apoio do Sebrae. “É precisar juntar autoridades e comunidade para apontarem as soluções dos problemas, e o Assembléia Aberta é uma ótima oportunidade para fazermos isso”, diz Orlando Sabino.

Fabio Pontes