Para diretor do Sebrae, produtos mais adequados, canais de distribuição mais próximos, processos de análise mais simples são alguns dos fatores de aproximação com os pequenos negócios

Beth Matias

Andrei Bonamin

Debate no Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) em São Paulo

São Paulo – Nos próximos anos, os bancos precisam estar preparados para atender à crescente demanda de pessoas jurídicas de pequeno porte por crédito, alerta do diretor de Administração e Finanças do Sebrae, Carlos Alberto dos Santos, durante debate no Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), em São Paulo, com o economista-chefe da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Rubens Sardenberg, e o diretor do Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Milton Bogus.

“Dados do Banco Central mostram que o crescimento acumulado do crédito de setembro de 2008, contra setembro de 2007, foi de 34%. Diante dessa expansão, para os próximos anos, as perspectivas é de que haverá uma expansão da oferta de crédito no País que dará novos rumos ao mercado. Todas essas mudanças vão fazer com que as pequenas empresas sejam a bola da vez na procura de investimentos, mas esse crédito precisa estar adequado”, diz o dirigente do Sebrae.

Produtos mais adequados, canais de distribuição mais próximos, processos de análise mais simples são alguns dos fatores, segundo Carlos Alberto dos Santos, que possibilitarão aos bancos conversarem melhor com o cliente da pequena empresa. Ele critica os instrumentos de análise de risco. “Atualmente são inadequados”, diz.

Em países como a Colômbia e a Argentina, explica, os fundos e as sociedades garantidoras de crédito estão muito mais avançados, o que possibilita um acesso ao crédito mais rápido. “Existe também um grande problema de assimetria de informações entre os bancos e os pequenos negócios. Essa desconfiança mútua precisa acabar. Não há histórico de relacionamento e é preciso construí-lo”.

Segundo ele, um dos caminhos é a organização das empresas em arranjos produtivos ou outra forma de associação. “Conseguir empréstimo em escala é muito mais fácil porque o banco pode comparar informações entre o próprio pessoal do arranjo ou da associação”.

É preciso, de acordo com o diretor do Sebrae, criar um efeito similar na pequena empresa como o que foi conseguido pelo governo com o crédito consignado. “O mecanismo no crédito consignado em folha é simples: há garantias (folha de pagamento) e juros mais baixos. É preciso financiar empresas viáveis”.

Ele acredita também que fusões dos bancos irão aumentar a concorrência no setor, beneficiando os pequenos negócios. “Quando as grandes corporações perceberem o filão que é trabalhar com o financiamento das pequenas empresas, ocorrerá uma disputa mais saudável”.

Fundo Garantidor e Cadastro Positivo

Tanto Sardenberg como Bogus defenderam também a agilização do Fundo Garantidor de Crédito para as pequenas Empresas, anunciado recentemente pelo governo, e do Cadastro Positivo para melhorar o acesso ao crédito dos pequenos negócios. “Este momento exige um fundo de aval e linhas de crédito do BNDES que cheguem à pequena empresa”, diz o diretor da Fiesp.

O spread bancário (diferença entre as taxas de captação e aplicação de recursos,praticadas pelas instituições financeira) foi criticado pelo diretor da Fiesp. Segundo ele, é preciso reduzir os custos das operações para que o crédito chegue de forma mais abrangente às pequenas empresas. O economista-chefe da Febraban avalia que a inadimplência poderá aumentar nos próximos meses, mas descarta que isso implique em maiores spreads. “Esse possível aumento da inadimplência já está computado nas atuais operações do spread”, já que as instituições financeiras trabalham com expectativas de curto, médio e longo prazos.