Nova metodologia levará consultoria gratuita até o microempresário

Regina Xeyla – 05/03/2010.

Empresária Geovana Temp da Silva

Com o Programa Negócio a Negócio, nova metodologia do Sebrae, a falta de tempo não será mais empecilho para que pequeno empresário se capacite e torne seu negócio mais competitivo

Brasília/DF – A empresária Geovana Temp da Silva, de Brasília, sabe que precisa se capacitar para gerir melhor seu negócio, mas não sabe por onde começar e nem tem tempo para fazer isso. Estes são problemas que refletem a realidade de grande parte dos empresários que estão a frente de pequenos negócios. Atento a isso, o Sebrae criou o programa Negócio a Negócio. Trata-se de nova metodologia que levará até o empresário, em seu local de trabalho, orientação gratuita e personalizada.

A instituição tem trabalhado desde fevereiro na formação dos consultores que terão a função de capacitar posteriormente os Agentes de Orientação Empresarial. Esses últimos serão os responsáveis por levar o conhecimento de porta em porta. Mais de 120 pessoas, divididas em quatro turmas, serão treinadas na metodologia até o final de março em Brasília. A meta do Sebrae é atender pelo programa cerca de 800 mil empreendimentos ainda em 2010.

Geovana faz parte de um grupo de empresários, com espaços comerciais dentro da Feira dos Importados de Brasília, selecionado pelos consultores do Sebrae para participar desse primeiro trabalho com a nova metodologia. A feira, área de economia popular, reúne empreendedores individuais, microempresas com até quatro empregados e informais. Nesta quarta-feira (3), o grupo de empresários recebeu a terceira visita da segunda turma de formação dos consultores do Sebrae.

São profissionais do Ceará, Rio de Janeiro, Rondônia, Alagoas, Pernambuco e Maranhão que, após receber conteúdo, vão colocar em prática, em seus estados, o que aprenderam. A proposta do trabalho é vivenciar as situações que os Agentes de Orientação Empresarial irão passar, e assim, avaliar quais são as melhores práticas de abordagem.

Durante a capacitação, os consultores fazem quatro visitas de campo. São momentos diferentes com os mesmos empresários selecionados. “Na primeira visita, o uso do crachá de identificação contribuiu para diminuir a desconfiança dos empresários. Na segunda visita, a receptividade foi maior. Muitos até abriram suas informações financeiras. Conseguimos estabelecer um pacto de confiança. O nosso desafio é justamente estabelecer este pacto e fidelizar o cliente”, explica Pablo Rebouças, consultor do Sebrae no Maranhão.

Metodologia

Na primeira visita, os consultores fazem a abordagem dos empresários, identificando os que têm o perfil para participar do programa. Para os empresários formais, os consultores oferecem consultorias voltadas para as deficiências identificadas no negócio. Já para os empreendedores informais, os consultores irão mostrar as vantagens da formalidade.

Na segunda visita, o representante do Sebrae traça o perfil do empresário, com dados como idade, grau de escolaridade, origem e o que estimulou o empresário a buscar a atividade, entre outros. Após as duas primeiras visitas, a terceira já passa ser mais direcionada. Na quarta visita, o Agente de Orientação Empresarial aplicará o Diagnóstico, um questionário que traz perguntas voltadas apara os temas de mercado, clientes, processos produtivos e finanças.  

Conhecimento e prática

Apesar da timidez, a empresária Geovana Temp impressionou os consultores do Sebrae ao mostrar como conhece bem o seu negócio. Ao responder as perguntas do Diagnóstico, ela relatou de forma segura como faz para conquistar e fidelizar seus clientes, quem são seus concorrentes e como faz para se atualizar. “Troco informações com outros empresários sobre maquinário e novidades do setor. Busco me atualizar, por meio das feiras de negócios, como a Feria do Empreendedor, e também pela internet”, disse.

Ela encara como grande problema a questão do espaço. Com quatro boxes, a empresária não tem mais para onde expandir seu negócio. Atualmente Geovana possui uma máquina de estampar camiseta e duas máquinas de bordar, que são manuseadas por ela e por uma funcionária. Para segurar seus clientes, ela diz que trabalha com agilidade e busca desenvolver uma relação de amizade com quem procura seus serviços.

“Aproveito as críticas dos clientes para melhorar meu produto. Admito que deveria me envolver mais com as finanças da loja”, avalia. Hoje ela faz esse trabalho com ajuda do marido, mas afirma que buscará apoio no Sebrae. “É muito boa a iniciativa do Sebrae de ir até o cliente. Acredito que a falta de tempo é uma realidade de muitos empresários”, comenta Geovana.

Serviço:

Agência Sebrae de Notícias – (61) 8188-9815 e 8188-9815